O Isags terá como diretor-executivo, nos próximos três anos, o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão. A secretária-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Maria Emma Mejía, disse, durante a conferência inaugural, que a América do Sul vive uma época de renascimento. “Já não somos a periferia do mundo, mas sim estamos participando do centro das decisões, melhorando as condições de vida das nossas populações. Não fomos afetados pela crise global (mais recente) e o mundo começou a nos olhar até com certa inveja”. Ela sugeriu que os presentes ao encontro voltem a se reunir em 7 de setembro de 2022, quando será comemorado o bicentenário da Independência do Brasil, para fazer um balanço dos projetos realizados pelo Isags.

Ao falar para os participantes da cerimônia de inauguração do Isags, realizada na Academia Nacional de Medicina, no Centro do Rio, Mejía avaliou que o instituto “é um pilar essencial para lidar com a saúde no âmbito da América do Sul”. Deixou no ar a pergunta: “para onde queremos dirigir as nossas nações?”. E também chamou a atenção para o fato de ainda haver na América do Sul 32% de pobres e miseráveis. Mejía usou o Brasil como exemplo de luta contra a miséria a ser seguido. Segundo ela, é importante replicar o que foi feito pelo governo brasileiro nos últimos anos. “Tenho certeza de que se socializarmos as conquistas positivas, seremos, juntos uma potência”, sem esquecer de destacar o papel fundamental desempenhado pela educação e saúde na redução das desigualdades. Também jornalista, Mejía saudou o fato de serem 10 – entre as 12 que compõem a Unasul – as nações cujas casas parlamentares aprovaram o Tratado Constitutivo da União. Para ela, é dever dos países-membro levar esse projeto adiante. “Nossa região é uma energia capaz de mover o mundo”, declarou.

Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, o lançamento do Pro-Isags chega em um momento especial por que passa a América do Sul. Segundo ele, há todo um interesse de trocas entre os países da região, algo que não acontecia. Ele citou o caso do lançamento de uma cátedra sobre História do Brasil na Colômbia, como bom exemplo do interesse mútuo que está ocorrendo. “Até bem pouco tempo, pouco se sabia um do outro país, mas agora as coisas estão melhorando e sobre todos os aspectos, felizmente”, disse Gadelha.

O coordenador de Relações Internacionais da Fiocruz, Paulo Buss, disse que “estamos determinados a construir e contribuir para a unidade da América do Sul. A evolução da Unasul tem sido dinâmica e prezamos o bom governo em saúde. Temos que celebrar esse magnífico resultado, a colaboração entre os 12 países em prol da saúde”. Para o ex-ministro José Temporão, agora à frente do Isags, “o que queremos é alavancar o melhor nível de saúde para nossos povos. Desenvolver lideranças, novas abordagens e apoio técnico em saúde; sempre integrado aos ministérios de Saúde da Unasul”. Participaram da cerimônia de inauguração ministros e vice-ministros da Saúde dos 12 países-membro, entre os quais o ministro da Saúde Pública do Uruguai, Jorge Venegas, que ocupa a presidência Pro-Tempore da Unasul-Saúde.

Nos quatro dias seguintes à inauguração, especialistas dos 12 países da Unasul participarão de oficina em que será discutido o tema Sistemas de saúde da América do Sul: desafios para a universalidade, integralidade e equidade. No encontro estará em debate o mais completo perfil feito até agora sobre a saúde na Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Pretende-se, assim, propiciar um intercâmbio de conhecimentos e reflexão sistemática sobre os sistemas de saúde de cada um dos países-membros da Unasul, com a identificação de pontos fortes e de debilidades, de forma a que permita o desenvolvimento de linhas de cooperação e trabalho para o Isags.

Para elaborar esse perfil da saúde na América do Sul os especialistas responderam a um abrangente questionário, cujas mais de 80 perguntas orientadoras foram elaboradas por profissionais destacados nos diversos setores da conjuntura da saúde. As perguntas abrangem os 11 eixos transversais mais importantes da estruturação da área da saúde, entre os quais estão direitos sociais e saúde, estrutura e organização, universalidade, integralidade e equidade, modelos de financiamento e a macrogestão. Também serão abordados a ação sobre os determinantes sociais, os insumos estratégicos para a saúde (como medicamentos e vacinas) e investigação e inovação em saúde. A matriz metodológica, que foi validada pelos 12 países-membro da Unasul, também privilegia os indicadores demográficos e socioeconômicos, relativos aos gastos com a saúde e à cobertura, a capacidade instalada na área de assistência, ambulatorial e hospitalar, sem deixar de lado a formação de recursos humanos, considerada prioritária pelo Isags.

As respostas dadas a essa matriz servirão de apoio técnico para o Isags por em prática o Plano Quinquenal do Conselho de Saúde Sul-Americano, e que privilegiará as seguintes dimensões do setor: Vigilância Epidemiológica, Desenvolvimento de Sistemas de Saúde Universais, Acesso Universal a Medicamentos, Promoção da Saúde e Ação Sobre os Determinantes Sociais e Desenvolvimento e Gestão de Recursos Humanos em Saúde. Até o final de 2011 e primeiro semestre de 2012, quatro novas oficinas serão realizadas pelo Isags para debater questões específicas sobre Vigilância Epidemiológica, Vigilância em Saúde, Determinantes Sociais da Saúde e Diplomacia da Saúde.